Você alguma vez percebeu que seu filho estava falando sozinho? Já teve que colocar um prato a mais na mesa por que seu filho insistiu que o “amigo” dele também estava com fome? Já ouviu seu filho culpar o “amigo” por uma travessura?

Amigos imaginários podem aparecer em qualquer momento da vida de uma criança. Normalmente em algum momento entre os 3 e os 8 anos de idade, podendo voltar ou aparecer também em alguma forma durante a adolescência.

Se seu filho tem um amigo imaginário, você não precisa se preocupar. Amigos imaginários podem ter várias utilidades no desenvolvimento de uma criança. Ele normalmente surge depois dos 3 anos de idade, já que é por volta dessa idade que a criança começa a entender os conceitos do “eu” e do “outro”. É para ajudar a explorar estes conceitos que o amigo imaginário aparece. Ele pode ter a forma de outra criança, de um animal, de um personagem de desenho, de um familiar que não está mais presente na vida da criança ou tomar qualquer outra forma. Pode ser um bicho de pelúcia, uma boneca ou serem completamente invisíveis. Ele será capaz de se comunicar e interagir com a criança, dialogar, perguntar e ajudar na formação de conceitos, pensamentos e opiniões.


Em geral, esse fenômeno é temporário e mesmo podendo durar alguns meses ou anos, não é necessariamente um sinal alarmante. Crianças em idade pré-escolar, primogênitos, filhos únicos e crianças que não convivem muito com outras crianças de idade aproximada podem criar amigos imaginários para dividirem experiências, criarem opiniões e discutirem certo e errado. Crianças que estão passando por algum período de mudança (mudança de escola, separação dos pais, morte de um parente próximo, etc) podem criar amigos imaginários para ajudar durante esse período de transição.

Interagir um pouco com o amigo imaginário, respondendo as perguntas, por exemplo, ajudam seu filho a compreender melhor o mundo à volta dele. Mas não interfira demais na relação entre seu filho e seu amigo imaginário. E por mais tentador que pareça ser, não use o amigo imaginário como incentivo (positivo ou negativo) para que ele faça alguma coisa, como ir para a cama no horário ou comer tudo o que está no prato.


Geralmente estes serem imaginados desaparecem sozinhos, sem precisar de qualquer tipo de interferência dos pais. Assim como antigos amigos de escola com quem você vai perdendo contato aos poucos, o mesmo acontece com os amigos imaginários. Você pode incentivar seu filho a interagir com outras crianças da idade dele, fazendo passeios, festa do pijama e outras atividades em grupo. Se seu filho se recusar a participar, ou se isolar mesmo cercado de crianças da mesma idade, este sim é um sinal de alarme, e você pode começar a pensar em formas de conversar com seu filho para descobrir o que está errado.

Muitas crianças esquecem completamente que tiveram um amigo imaginário. Se a presença dele for forte e interessante, você pode escrever em um caderno ou diário as lembranças dele para mostrar para o seu filho quando ele for maior. A presença de um amigo imaginário não representa, necessariamente, uma falha emocional ou presencial no modo em que você cuida do seu filho. Mesmo você, mãe ou pai, já deve ter passado por alguma experiência em que praticou discursos e conversas com você mesmo antes de falar de algum assunto sério com alguém. O amigo imaginário também ajuda nesse sentido. Praticando diálogos com o amigo imaginário, seu filho está se preparando para interagir no mundo real.


Não existe uma idade certa para quando um amigo imaginário pode aparecer na imaginação de uma criança, nem de quando ele vai sumir completamente. Isso varia de criança para criança e de caso para caso. É também possível que seu filho já teve ou tenha um amigo imaginário sem que você tenha notado. Nem todos os amigos imaginários vão querer um lugar à mesa, e isso também não é motivo de preocupação. Apenas se seu filho demonstrar uma total falta de interesse no mundo real, sem querer interagir com mais ninguém além do amigo imaginário, perdendo contato com a realidade, nesse momento você pode começar a se preocupar e procurar a ajuda de um especialista, caso contrário, não precisa se preocupar tanto.

Se seu filho tem ou teve um amigo imaginário, conte uma história pra gente, deixe um comentário abaixo com as travessuras que o amigo imaginário inventou na sua casa.